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PESQUISA

IMPERMANÊNCIA

A pesquisa se constrói a partir da impermanência. Ao longo da trajetória, a linha atua como gesto recorrente, articulando formas orgânicas que atravessam múltiplos eixos da percepção.

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Rios, raízes, artérias e constelações aparecem como vestígios de um mesmo pensamento. Aproximam corpo, natureza e tempo.

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Os animais surgem nesse repertório como presenças. Habitam a paisagem. São grito, são resistência. Em alguns momentos se mostram; em outros, confundem-se com cor e matéria. Nesse encontro entre o céu e a terra, uma relação de afeto transcende esse vocabulário visual.

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A pintura se desenvolve por transições e memória. Em algumas obras, a linha permanece pictórica; em outras, ultrapassa o plano e se converte em fio, bordado, cristal, relevo. Nessa articulação, constitui-se uma linguagem híbrida, na qual materialidade e espaço entram em diálogo com cor, luz e volume.

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A fluidez das formas cria metáforas entre corpos que habitam a terra e outros que se suspendem no espaço, compondo uma narrativa.

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Há uma tensão constante entre permanência e ruptura. As estruturas assumem estados transitórios: surgem, se fragmentam, se reorganizam, colapsam. Desses deslocamentos emerge uma cartografia de atravessamentos, na confluência entre o fazer plástico e o fazer ancestral.

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Natureza e espiritualidade percorrem esse universo como dimensões de uma mesma experiência. Força, ciclo e transformação constituem esse campo. Habitar o planeta é reconhecer-se como parte de algo maior — é pertencimento, é pulsação, é súplica lançada ao infinito. O visível e o invisível se tocam; espírito, paisagem e cosmos coexistem nesse território de passagem, onde matéria, existência e mistério encontram uma mesma ressonância.

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